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[14/Feb/2009]
Eventos raros, eventos incomuns
Tenho
um bom amigo em Viena. Brasileiro, físico pela UNB, casado com
uma austríaca que fala um excelente português. Um dia, há uns
dois anos, ele mesmo veio me contar que havia conhecido um outro físico,
formado pela UNB, casado com uma austríaca que fala um excelente
português que estava vindo morar em Viena! Não
só era verdade, como ele veio por pura coincidência, pasmem,
morar no mesmo andar do prédio em que moro! Uau, evento raríssimo,
não é? Nem tanto.
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[01/Jan/2009]
Reabrindo as janelas
Uma resolução do Ano-Novo passado que renovo para este 2009:
pararei imediatamente de ler qualquer texto tão logo eu encontre
as palavras "ideologia" ou "ideológico".
Aproveito para incluir na minha lista de pontos finais "dinossauro"
e "jurássico". Para 2010, "demagogo" e
variantes estão bem cotados.
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[09/Mar/2008] O moinho de Quixote, o humanista
Determinismo
biológico é uma tolice. Óbvia e ululante. Será que quando o
humanista vai enfaticamente acusar o cientista de acreditar nesta
heresia epistêmica, não lhe passa pela cabeça de que não é
provável que um pesquisador com boa formação acadêmica
realmente esteja propondo algo assim? Este seria o momento da
humildade, onde deveria se perguntar: "o que os
cientistas estão realmente dizendo?"
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[21/Jan/2008] Sobre aquilo que
não é dito
Pense num economista de mercado. Destes que recheiam as páginas
dos jornais com suas belas análises prevendo o futuro, mas
raramente explicam porque suas as previsões anteriores deram
errado. Eles estão num meio social sobre as mais diversas fontes
de pressões subjetivas. O seu próprio interesse financeiro, a
vontade de agradar o chefe, a preocupação com a reputação
junto aos colegas, tudo isto deve influenciar na forma com que ele
manipula as ferramentas econômicas, escolhe as variáveis a serem
estudadas, forma as suas conclusões.
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[26/Nov/2007] A tola discriminação racial entre abóboras e laranjas
O Humanismo em
todas as suas representações particulares, como o feminismo ou a
defesa dos direitos humanos, prega a bandeira da igualdade. Mas
talvez o bonde esteja um pouco descarrilado: igualdade deveria ser
um meio, não um fim em si. O objetivo-fim do humanismo deveria ser
criar uma situação onde todas as pessoas - sem exceção - vivam
com dignidade, não sofram abusos e, principalmente, sejam
felizes. A igualdade é uma boa bandeira no caminho para esta
utopia, mas não é necessariamente a condição para a sua
concretização.
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[20/Ago/2007] Sobre
o aborto (II):
Uma hipótese sobre a psicologia do julgamento moral
Minha
hipótese aqui é que as pessoas normalmente não fazem
julgamentos morais baseados em princípios filosóficos abstratos
como "o feto tem direito à vida", mas baseados em
percepções muito mais básicas e intuitivas de responsabilidade,
intencionalidade e risco associadas ao ato de abortar. A repulsa
emocional (ou a ausência dela) é desenvolvida num segundo
estágio do julgamento moral e pode eventualmente ser legitimada
com princípios filosóficos abstratos.
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[05/Ago/2007] Em defesa dos vôos a 1,99
Que fique claro:
não existe acaso em acidentes aéreos. Quem acredita nisto vai
ter a difícil tarefa de explicar porque acasos
"preferem" ocorrer na Ásia, América Latina e África.
Porque acasos preferem ocorrer em países não-democráticos e em
países sem uma agência de regulação civil eficiente. Acidentes
aéreos ocorrem quando vários sistemas falham simultaneamente,
conjugando quase sempre falha humana com, por exemplo, falha
mecânica e pista em condições inadequadas.
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[22/Jul/2007] Sobre
o aborto (I): Não matarás (a não ser que...)
Uma expressiva fração das mulheres considera o aborto uma opção
legítima (indesejável, normalmente). É de uma arrogância sem
fim simplesmente assumir que elas estão erradas porque a religião
x diz isto ou o
argumento filosófico y
ensina aquilo e simplesmente proibir a prática baseado-se nestes
argumentos. Provavelmente, o mais razoável seria que o aborto
fosse legalmente entendido como uma decisão de fórum pessoal a
ser tomada pela mãe nas primeiras semanas de gestação, contando
com o apoio médico necessário. O legítimo objetivo de se
reduzir os casos de aborto deveria estar na esfera da educação e
do planejamento familiar, não na legal.
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[01/Abr/2007] Colocando uma rede na quadra de tênis
Cientistas e pessoas secularmente educadas têm a responsabilidade
social de não serem condescendentes com a religião. Ciência
trata de fatos e religião, de significados e moral, certo?
Não, errado! Isto é um clichê absolutamente sem
justificativa, a não ser nossa condescendência: “Desde que os
religiosos não têm nenhuma competência em particular, deixemos
os porquês para eles.” Tal condescendência tem nos custado caro,
basta ver o quanto políticas públicas de planejamento familiar não
conseguem se desenvolver por pressão dos religiosos.
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[15/Fev/2007]
Não usarás o nome do inocente nome em vão
A morte do menino arrastado pelas ruas por bandidos é um fantasma
que vai nos assombrar por muito tempo. Mas não bastasse a
barbárie em si, temos agora que agonizar ainda um pouco mais e
suportar os urubus em sua fome de sangue e carniça. Suportar esta
gente “indignada” exigindo providências, que não são mais
que a implantação de uma agenda neofacista. O menu de sempre:
controle policial-militar de guetos, eliminação de direitos,
pena de morte.
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[10/Fev/2007]
A seção que falta aos jornais
Se os meios de comunicação
querem ter o apoio da sociedade em sua legítima luta pela
liberdade de informar, têm a obrigação de tornarem-se eles
próprios transparentes. Podem começar adicionando uma seção a
mais nos jornais. Depois de Política, Economia, e Internacional,
que tal a seção Imprensa?
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[20/Nov/2006]
Da aspirina e dos múltiplos pontos de vista (I)
Moléculas
não são conjuntos de átomos. Células não são um conjunto de
macromoléculas. A mente não é uma coleção de neurônios. Fenômenos
culturais não são conjuntos de memes. Bobó de camarão não é
uma soma de aipim com crustáceos. E mesmo que fosse possível um
computador infinito, uma teoria quântica das oscilações da
bolsa de Nova York seria simplesmente inútil.
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[18/set/2006] Entre iguais, se sorteia
O sorteio
qualificado, ao mirar a média dos melhores e não o melhor dentre
os melhores reduz o excesso de pressão que leva à fraude. A avaliação,
neste caso, passa incentivar a média qualificada. Não que não se deva premiar o
trabalho excepcional. Pelo
contrário, isto deve ser feito com freqüência, pompa e
circunstância. Não deveria ser simplesmente relegado às
avaliações de rotina.
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[07/aug/2006]
Violência, corrupção e outros
bois
Então
violência é estratégia que pode ser adotada se os benefícios
superam os riscos e custos. Mas também podemos dizer que há
pessoas intrinsecamente más, na medida que os sistemas de avaliação
de estratégia julgam por parâmetros diversos, e para certas
pessoas, com todo o restante sendo igual, ela tenderão pela
estratégia violenta mais freqüentemente que a média.
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[03/jul/2006]
Os vários fins do mundo
Em vinte anos, como há vinte anos, haverão os que
verão nas novas modas dos jovens a degenerescência da sociedade;
na sacanagem política, a falência das instituições. Mais do
mesmo. Em cada época, o sentimento de mudança iminente está lá
assombrando os transeuntes do tempo, principalmente aqueles que
projetam a sua própria finitude sobre a análise de seu mundo.
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