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[09/Mar/2008] O moinho de Quixote, o humanista
Determinismo
biológico é uma tolice. Óbvia e ululante. Será que quando o
humanista vai enfaticamente acusar o cientista de acreditar nesta
heresia epistêmica, não lhe passa pela cabeça de que não é
provável que um pesquisador com boa formação acadêmica
realmente esteja propondo algo assim? Este seria o momento da
humildade, onde deveria se perguntar: "o que os
cientistas estão realmente dizendo?"
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[21/Jan/2008] Sobre aquilo que
não é dito
Pense num economista de mercado. Destes que recheiam as páginas
dos jornais com suas belas análises prevendo o futuro, mas
raramente explicam porque suas as previsões anteriores deram
errado. Eles estão num meio social sobre as mais diversas fontes
de pressões subjetivas. O seu próprio interesse financeiro, a
vontade de agradar o chefe, a preocupação com a reputação
junto aos colegas, tudo isto deve influenciar na forma com que ele
manipula as ferramentas econômicas, escolhe as variáveis a serem
estudadas, forma as suas conclusões.
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[26/Nov/2007] A tola discriminação racial entre abóboras e laranjas
O Humanismo em
todas as suas representações particulares, como o feminismo ou a
defesa dos direitos humanos, prega a bandeira da igualdade. Mas
talvez o bonde esteja um pouco descarrilado: igualdade deveria ser
um meio, não um fim em si. O objetivo-fim do humanismo deveria ser
criar uma situação onde todas as pessoas - sem exceção - vivam
com dignidade, não sofram abusos e, principalmente, sejam
felizes. A igualdade é uma boa bandeira no caminho para esta
utopia, mas não é necessariamente a condição para a sua
concretização.
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[20/Ago/2007] Sobre
o aborto (II):
Uma hipótese sobre a psicologia do julgamento moral
Minha
hipótese aqui é que as pessoas normalmente não fazem
julgamentos morais baseados em princípios filosóficos abstratos
como "o feto tem direito à vida", mas baseados em
percepções muito mais básicas e intuitivas de responsabilidade,
intencionalidade e risco associadas ao ato de abortar. A repulsa
emocional (ou a ausência dela) é desenvolvida num segundo
estágio do julgamento moral e pode eventualmente ser legitimada
com princípios filosóficos abstratos.
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[05/Ago/2007] Em defesa dos vôos a 1,99
Que fique claro:
não existe acaso em acidentes aéreos. Quem acredita nisto vai
ter a difícil tarefa de explicar porque acasos
"preferem" ocorrer na Ásia, América Latina e África.
Porque acasos preferem ocorrer em países não-democráticos e em
países sem uma agência de regulação civil eficiente. Acidentes
aéreos ocorrem quando vários sistemas falham simultaneamente,
conjugando quase sempre falha humana com, por exemplo, falha
mecânica e pista em condições inadequadas.
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[22/Jul/2007] Sobre
o aborto (I): Não matarás (a não ser que...)
Uma expressiva fração das mulheres considera o aborto uma opção
legítima (indesejável, normalmente). É de uma arrogância sem
fim simplesmente assumir que elas estão erradas porque a religião
x diz isto ou o
argumento filosófico y
ensina aquilo e simplesmente proibir a prática baseado-se nestes
argumentos. Provavelmente, o mais razoável seria que o aborto
fosse legalmente entendido como uma decisão de fórum pessoal a
ser tomada pela mãe nas primeiras semanas de gestação, contando
com o apoio médico necessário. O legítimo objetivo de se
reduzir os casos de aborto deveria estar na esfera da educação e
do planejamento familiar, não na legal.
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[01/Abr/2007] Colocando uma rede na quadra de tênis
Cientistas e pessoas secularmente educadas têm a responsabilidade
social de não serem condescendentes com a religião. Ciência
trata de fatos e religião, de significados e moral, certo?
Não, errado! Isto é um clichê absolutamente sem
justificativa, a não ser nossa condescendência: “Desde que os
religiosos não têm nenhuma competência em particular, deixemos
os porquês para eles.” Tal condescendência tem nos custado caro,
basta ver o quanto políticas públicas de planejamento familiar não
conseguem se desenvolver por pressão dos religiosos.
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[15/Fev/2007]
Não usarás o nome do inocente nome em vão
A morte do menino arrastado pelas ruas por bandidos é um fantasma
que vai nos assombrar por muito tempo. Mas não bastasse a
barbárie em si, temos agora que agonizar ainda um pouco mais e
suportar os urubus em sua fome de sangue e carniça. Suportar esta
gente “indignada” exigindo providências, que não são mais
que a implantação de uma agenda neofacista. O menu de sempre:
controle policial-militar de guetos, eliminação de direitos,
pena de morte.
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[10/Fev/2007]
A seção que falta aos jornais
Se os meios de comunicação
querem ter o apoio da sociedade em sua legítima luta pela
liberdade de informar, têm a obrigação de tornarem-se eles
próprios transparentes. Podem começar adicionando uma seção a
mais nos jornais. Depois de Política, Economia, e Internacional,
que tal a seção Imprensa?
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[20/Nov/2006]
Da aspirina e dos múltiplos pontos de vista (I)
Moléculas
não são conjuntos de átomos. Células não são um conjunto de
macromoléculas. A mente não é uma coleção de neurônios. Fenômenos
culturais não são conjuntos de memes. Bobó de camarão não é
uma soma de aipim com crustáceos. E mesmo que fosse possível um
computador infinito, uma teoria quântica das oscilações da
bolsa de Nova York seria simplesmente inútil.
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[18/set/2006] Entre iguais, se sorteia
O sorteio
qualificado, ao mirar a média dos melhores e não o melhor dentre
os melhores reduz o excesso de pressão que leva à fraude. A avaliação,
neste caso, passa incentivar a média qualificada. Não que não se deva premiar o
trabalho excepcional. Pelo
contrário, isto deve ser feito com freqüência, pompa e
circunstância. Não deveria ser simplesmente relegado às
avaliações de rotina.
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[07/aug/2006]
Violência, corrupção e outros
bois
Então
violência é estratégia que pode ser adotada se os benefícios
superam os riscos e custos. Mas também podemos dizer que há
pessoas intrinsecamente más, na medida que os sistemas de avaliação
de estratégia julgam por parâmetros diversos, e para certas
pessoas, com todo o restante sendo igual, ela tenderão pela
estratégia violenta mais freqüentemente que a média.
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[03/jul/2006]
Os vários fins do mundo
Em vinte anos, como há vinte anos, haverão os que
verão nas novas modas dos jovens a degenerescência da sociedade;
na sacanagem política, a falência das instituições. Mais do
mesmo. Em cada época, o sentimento de mudança iminente está lá
assombrando os transeuntes do tempo, principalmente aqueles que
projetam a sua própria finitude sobre a análise de seu mundo.
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[11/jun/2006]
Quem surgiu primeiro: o ovo ou a galinha de quatro coxas?
Não houve uma Eva das galinhas, a menos que se coloque um marco
arbitrário para se definir o que com certeza é galinha, algo como ave
com 99.5% de semelhança com o material genético comum às 175 variedades
de galinha hoje existentes. Mas claro, tal definção seria tão boa
quanto exigir 99.6% ou definir galinha pelo sabor que o macho adquire
quando é cozido com aipim.
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