defenestrando idéias
Mario Barbatti


  Início
  Índice de textos
  Gotas de Sabedoria

  

  Seus comentários
 Avise quando atualizado

  

  Física molecular
  Você conhece o Mario?
   
Defenestrando idéias
   
O dia a dia na terra das bananas & naquelas d´além mar.

[15/Fev/2007] Não usarás o nome do inocente nome em vão

A morte do menino arrastado pelas ruas por bandidos é um fantasma que vai nos assombrar por muito tempo. Mas não bastasse a barbárie em si, temos agora que agonizar ainda um pouco mais e suportar os urubus em sua fome de sangue e carniça. Suportar esta gente “indignada” exigindo providências, que não são mais que a implantação de uma agenda neofacista. O menu de sempre: controle policial-militar de guetos, eliminação de direitos, pena de morte.

É impressionante como esta gente ignorante não consegue entender os mais básicos conceitos da civilização. Não consegue entender que “direitos humanos” não é fru-fru de intelectual para defender bandido. É a garantia de que nenhuma pessoa será presa sem que pese contra ela alguma acusação fundamentada; de que a sua moradia e seus bens não lhes serão tomados arbitrariamente; de que ela poderá expressar sua opinião, rezar em seu templo, decidir quantos filhos vai ter sem que seja punido por isto. É, afinal, a garantia de que a polícia e o Estado vão agir sempre rigorosamente dentro da lei. Se a lei é ruim, mude-a, não a atropele.

Bandidos são como governantes: cada povo tem os que merece. E vendo estas manifestações raivosas e cheias de ódio, desejosas de ver um Estado policial, autoritário e vingativo, fica dolorosamente claro que os bandidos cariocas são selvagens porque os cariocas são selvagens. A tragédia é ver inocentes morrendo em consequência disto.

Estou me lixando para os discursos anti-humanistas, para o deboche anti-intelectual, para o raciocícnio tacanho com suas falsas soluções. Mas realmente me incomoda ver esta gente usando o nome do inocente menino em vão. Profanando sua memória ao usá-la como estampa em suas agendas políticas. Foi quase inacreditável me deparar com o canalha de um bispo católico, numa coluna de jornal há poucos dias, usando o matirizado para vender suas idéias anti-aborto e anti-camisinha. Se o inferno existisse, ele teria por lá seu lugar já reservado.

Se você, caro leitor, é um dos raivosos a que acabo de me referir. Tente sincera e racionalmente responder qual a diferença que faria se sua “polítca de segurança” - esta que você tem certeza que resolveria o problema - fosse implementada. Se sua resposta começar com um “eu acho que”, simplesmente cale-se. O assunto é muito sério e políticas mal fundamentadas significam matar mais inocentes no futuro.

Mas se está disposto a fazer um pouquinho para a situação melhorar, vá estudar. Aprenda que existe um universo imenso de coisas que você não tem idéia. Leia algo que não seja a Veja, Orkut ou a Bíblia. (Fica como sugestão “A Tábula Rasa”, de Steven Pinker.) Nos próximos meses, ao invés de dar o dízimo para sua igreja, junte com seus vizinhos e use este dinheiro para doar livros e computadores para a escola pública de seu bairro. Finalmente, toda vez que vier à sua boca a expressão “o problema do Brasil é” e você tiver certeza que sabe como resolvê-lo, pare, respire e lembre-se de uma útil platitude: “para todo problema complexo existe uma solução simples, e errada”.

(Texto de Mario Barbatti) 


Leia também no Defenestrando Idéias:
Cada povo tem a bandidagem que merece


gun.gif (5899 bytes)

Gotas de Sabedoria