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[19/dez/2002]
Jogo Duro
A
sabatina de Meirelles no Senado deu o tom do que poderá ser a
oposição a Lula nos próximos anos: raivosa e rancorosa,
daquelas que se achava que só o PT sabia fazer.
O
PSDB, por meio do senador Antero
Paes de Barros (PSDB-MT), tentou armar um circo com as denúncias
que o PT fizera em 1999 contra o Banco de Boston e seu
envolvimento na especulação com o Dólar, pré-desvalorização
do Real. A não ser essencialmente pelo senador Jefferson Péres
(PDT-AM), que entrou no jogo, os demais participantes da sabatina
relevaram as denúncias e apagaram o princípio de incêndio, sem
deixar maiores conseqüências.
Afinal,
todos ali estavam conscientes de que há algo de essencialmente
fantasioso sobre a escolha do presidente do BC. Segundo a lei,
este deve atender três requisitos:
1) ter competência técnica na área econômica;
2) ter reconhecimento profissional no Brasil e no exterior;
3) ter reputação ilibada.
Ora,
ora. Todos sabem (até Paes de Barros) que não há ninguém na
esfera sublunar capaz de atender aos três requisitos.
Essencialmente querem um banqueiro ou um especulador de sucesso
que não seja um filho-da-puta! E isto é impossível de encontrar
pela própria natureza da profissão.
Há
quatro anos, Armínio Fraga enfrentou nove longas horas de
sabatina, durante a qual era acusado, pelo senador Pedro Simon
(PMDB-RS), de ser uma raposa a ser posta para tomar conta do
galinheiro. Simon já se desculpou publicamente e Fraga tornou-se
uma unanimidade, elogiado pela competência e retidão, por todo o
espectro da política nacional.
(Eu
particularmente não seria tão apressado com elogios. Gostaria de saber, por exemplo, a que senhor,
Dr. Fraga
estava servindo, quando manteve os juros em altos patamares, mesmo
quando todos os analistas de mercado apontavam que havia um bom
espaço para queda.)
Mas
ficou claro que parte do PSDB está raivoso e ressentido. Não
piscaram em tentar queimar o ex-neo-tucano Meirelles, se com isto
pudessem atingir o PT. De fato, ao longo das cinco horas de
reunião, muitas vezes parecia que o sabatinado não era o
presidente indicado, mas sim o partido dos trabalhadores.
Mercadante foi alvo diversas vezes, e as perguntas eram feitas
menos para se conhecer as propostas de Meirelles para o BC, que
para chafurdar no mar de incoerências de que é feito o discurso
econômico do PT.
O
Partido dos Trabalhadores, na sua histórica radicalidade, teve
este efeito geral sobre muita gente, o de gerar antipatia e tornar
amargo e cínicos os seus adversários. Na sabatina, o senador
Arthur da Távola (PSDB-RJ) choramingava pelo quanto eles haviam
apanhado dos petistas. Aqui no Rio, Rosinha Garotinho não
consegue nem pronunciar a sigla "PT" sem fazer cara de
nojo e perder o rebolado.
Resta
saber se o novo estilo "urso-de-pelúcia" de Lula &
cia. vai conseguir conquistar os cínicos, amargos e raivosos.
(m.b.)
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