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[01/fev/2003]
De quem é o petróleo?
"Crise
internacional leva a novo aumento dos combustíveis."
Epaminondas Palmério já não se surpreende com notícias como
esta, mas também não se conforma. Segundo
a sua lógica, se o petróleo
é um produto estratégico, motor da economia moderna, como pode
ser tratado como mais um produto regulado pelo mercado?
Nacionalista à antiga, não entende como se deixou a situação
da Petrobras chegar a este ponto de indiferença para com as
necessidades da nação.
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Epaminondas
acha que o mais sensato seria buscar a auto-suficiência e
utilizar o petróleo nacional, extraído pela estatal, justamente
para garantir um abastecimento interno a preços razoáveis.
Afinal, a preocupação do governo deveria ser com o
desenvolvimento do país, e não com a lucratividade dos
acionistas da Petrobras. Os derivados do petróleo nacional
deveriam circular dentro do país praticamente ao preço do custo
de tirá-lo do fundo da bacia de Campos, e não com o preço
definido nas bolsas européias.
"Nem
nos tempos dos milicos!", brada ele revoltado, entre os
antigos colegas do partidão. Epaminondas até desconfia que tem
mais por trás desta história: "Deve ter dedo da OPEP e dos
capitalistas de Washington."
Para
sua decepção, até o novo presidente da estatal, moço do
PT, já pelegou e defende que o preço da commodity seja
subsidiado pelo governo federal, para garantir a
lucratividade da empresa e seus acionistas. Epaminondas acha
um absurdo: "Tem que ter subsídio não. Tem só que
garantir a lucro básico para manter os investimentos da
empresa. Quem não tiver satisfeito que vá comprar ação
de outra coisa." Ele já até escreveu uma carta para o
JB, denunciando os novos entreguistas.
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Getúlio
Vargas se revira no túmulo tentando entender o que saiu
errado com a Petrobras.
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Mas
Epaminondas não acha que vai ter jeito não. Agora vai ter
a guerra do Bush, o preço do petróleo vai aumentar lá
fora, e o da Petrobras, que não tem nada a ver com a
guerra, também vai aumentar aqui dentro. Depois, como
conseqüência, o preço de tudo sobe no seu rastro. Mais
inflação para comer a sua aposentadoria.
Epaminondas
Palmério sabe que não pode fazer nada. E, lá no fundo, fica
até torcendo para os entreguistas virem de novo com a história
de privatizar a Petrobras. Desta vez ele até apóia. Por
enquanto, ele só faz o seu protesto solitário, se recusando a
abastecer sua Parati 83 nos postos BR.
(texto de Mario Barbatti)
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