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[31/mar/2003]
Gota d'água
Gota
d'água é o conceito que está faltando às políticas de
segurança pública. A bandidagem, carinhosamente alcunhada de
"crime organizado", tem que aprender que algumas coisas
são muito sérias e não se pode fazer. Matar juiz é uma delas. O
assassinato de um juiz é um ataque direto ao estado de direito,
à justiça, à democracia, enfim, à república. A reação do
Estado não pode ser tímida. Não pode se limitar à
investigação do homicídio, à prisão de suspeitos, ao reforço
da segurança dos fora. Tem
que ser muito mais do que isto: as semanas que se seguem à morte
de um magistrado devem ser de desespero e míngua para todo o
tráfico. A repressão deve ser muito forte. Apreensões,
prisões, ocupações, revistas duras em presídios. Bocas,
soldados, quiosques, fume-taxis, formiguinhas, disque-drogas,
consumidores, presidiários, todos têm que ser afetados. O
Estado tem que deixar claro para o tráfico, que é prejuízo para
ele próprio matar um juiz, pois as conseqüências do ato serão
muito duras. E não importa qual a cor do comando que praticou o
ilícito: todos irão pagar, pois esta é a gota d'água. De
fato, este conceito pode ser estendido a outros níveis. Por
exemplo, o Estado tem que "didaticamente" ensinar ao
traficante que não vale a pena portar armas de fogo. A ação da
justiça e da polícia têm que ser qualitativamente mais dura
para com o meliante portando de armas, que para com aquele
desarmado. Posso apostar que ao fim de alguns anos, o tráfico
terá se desarmado, e as suas mais violentas ações terão sido
reduzidas. E
aqui é importante atentar para a seguinte obviedade, no que tange
o tráfico, a política de segurança deve ser ter o objetivo de
controle, e não de extinção. E controlar significa, na
prática, dar preços, dizer o quanto vai custar cada ação. A
marginália decide se vai ou não encarar. Por
enquanto, o preço da vida de juizes está baixo. Já foram dois
neste mês.
(texto
de Mario Barbatti)
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