Defenestrando idéias
Mario Barbatti


  Início
  Índice de textos
  Gotas de Sabedoria

  

  Seus comentários
 Avise quando atualizado

  

  Física molecular
  Você conhece o Mario?
   
Defenestrando idéias
   
O dia a dia na terra das bananas & naquelas d´além mar.

[16/jun/2003] Uma introdução à alogomancia

Dedicado ao mais brilhante dos 
filósofos brasileiros, Quincas Borba.

Mundo louco este nosso. Pois não é que tenho percebido que a ironia, o sarcasmo e a besteira têm um exótico poder premonitório? Coisas que a gente fala brincando, idéias ridículas e estúpidas, lançadas apenas para puxar o riso, de repente tornam-se parte de nossa realidade.

Já que a época é propícia a novas modas, posso até pensar em lançar os fundamentos para uma nova arte esotérica, com algum nome pomposo tal como "alogomancia". E quem sabe ganhar algum dindim?

Juro que a alogomancia tem se desvelado para mim espontaneamente. Descobri-me adepto da prática sem fazer nenhum esforço a não ser o de rir do ridículo que nos cerca. Veja, por exemplo, o texto do Defenestrando Idéias de 23/mai/2002. Lá, a partir da morte de intelectos do porte de Bourdieu, Heyerdahl e Jay Gould, eu previa que sobrariam apenas os olavodecarvalhos, tão logo morresse Prigogine nos próximos meses. Para minha infelicidade Prigogine morreu há duas semanas. Surpreendentemente a alogomancia me permitiu prever a morte de um ancião de 86 anos, com um erro de apenas seis meses!

Mais exemplos?

Quando surgiu a pneumonia asiática, brinquei que era um ataque biológico americano para enfraquecer a economia chinesa. Idéia tão ridícula que nem cheguei a escrever. Mas duas semanas depois, me chega às mãos o jornaleco "Luta Operária", e advinha qual era a manchete? "A guerra bacteriológica silenciosa da CIA contra a China." (JLO, n.75, mai/2003).

Há alguns anos, tive que gastar muitos verbos explicando que a minha defesa da revalidação dos diplomas de graduação e pós-graduação por meio de provas anuais era apenas uma ironia. Bom, esta semana, o ministro Buarque aventou a possibilidade de um provão para os professores.

No Defenestrando de 29/ago/2002, usei a alogomancia para prever que o PT se tornaria um partido de centro, com apoio de grandes setores do PSDB e PMDB. Previ também que o PDT e o PSTU se uniriam na oposição, e que o PT promoveria uma grande flexibilização das leis trabalhistas. Até agora tudo isto está assustadoramente correto. 

Depois, no Defenestrando de 06/mai/2003, escrevi a respeito de umas bobagens que o ministro Palocci havia falado sobre um trabalho de Ilan Goldfajn e sobre as quais não havia tido absolutamente nenhum comentário na imprensa. Este Goldfajn era até aí, para mim, apenas um ilustre desconhecido, mas duas semanas depois, sem nenhum motivo muito claro, eis a manchete de O Globo: "Ilan Goldfajn pede demissão do cargo de diretor de Política Econômica do BC" (22/mai/2003).

A alogomancia é uma ferramenta poderosa, capaz de coisas que as outras artes divinatórias nem chegam perto. Por exemplo, ainda em tempos pré Defenestrando, fui capaz de posver o episódio de 11 de setembro. Em 12 de setembro enviei uma impressionante análise alogomântica para meus correspondentes eletrônicos (leia aqui).

Diante desta fantástica capacidade, já tenho até medo de falar bobagens ou ser irônico. Sabe-se lá que terríveis previsões elas conterão. Neste momento estou perturbado com uma bobagem que me permeia a mente e que pode ter conseqüências catastróficas: acho que sei quantos anos vai durar o império norte-americano!

Aguarde...

(texto de Mario Barbatti) 


Leia também no Defenestrando Idéias:
A Sociedade Mágica


gun.gif (5899 bytes)

Gotas de Sabedoria